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Setor de orgânicos deve crescer 30% no País

Ministério da Agricultura espera que as unidades de produção subam das atuais 14,5 mil para cerca de 30 mil em 2019, aumentando o número de municípios brasileiros voltados ao segmento

A busca dos brasileiros por uma alimentação saudável, assim como em produtos prontos, e o valor agregado oferecido aos produtores, fizeram o mercado nacional de orgânicos crescer acima da média nos últimos anos.

O setor movimenta cerca de R$ 2,5 bilhões, com perspectiva de crescimento de 30% somente neste ano.

Para se ter ideia, em 2013 eram 6.700 unidades de produção orgânica em todo o País. Agora, são cerca de 14.500 unidades, o que significa 22,5% dos municípios.

No entanto, a estimativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostra o espaço de evolução do setor: chegar a 30 mil unidades de produção em até três anos.

"Há dez anos eram pouquíssimas indústrias de processamento no setor. Atualmente, são mais de mil empresas", afirma o coordenador de Agroecologia do Mapa, Rogério Dias.

Segundo ele, os produtos processados deram competitividade à indústria. "Aumentou-se o tempo de prateleira para o produto. Então, o setor começou a entrar em mercados nos quais alimentos fresco não teria acesso", afirmou Dias ao DCI, durante a 12ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia (Bio Brazil Fair), que começou ontem e vai até sábado (11) na bienal do Ibirapuera, em São Paulo.

Falta assistência técnica

Na avaliação de Dias, um dos entraves a serem resolvidos para potencializar ainda mais a produção orgânicos é a assistência técnica. "O produtor pensa: 'eu quero sair da atuação convencional, deixar de usar defensivos, mas quem pode me orientar?' Isso é um problema", pontua. Outro aspecto é a dificuldade de acesso aos insumos. "Em qualquer casa agropecuária há defensivos ou produtos veterinários. Já os insumos para quem é produtor orgânico são difíceis de encontrar", complementa o representante do Mapa.

As principais regiões produtoras são Sul e Sudeste, com destaque para verduras, legumes, vegetais, arroz e açúcar. Por outro lado, o Norte e o Nordeste veem ganhando destaque com grãos (castanhas) e a apicultura orgânica.

Segundo o diretor executivo do Conselho Brasileiro de Produção Orgânica e Sustentável, Ming Chao Liu, a indústria de alimentos processados começou a olhar de forma diferente para esses produtos por conta do alto valor agregado.

"O que há dez anos incidia sobre frutas, legumes e vegetais, hoje começa a ter produtos mais industrializados, como sucos, barras de cereais e iogurtes. Com isso, o lançamento de novos produtos cresce em até 40% ao ano", relata Ming Chao.

Oportunidade

Esse foi justamente o caso da Vapza, empresa de Curitiba (PR) que atua há mais de 20 anos com o processamento industrial de alimentos naturais, cozidos à vapor e embalados à vácuo. Em 2015, a aposta foi em linha de orgânicos que inclui feijão e arroz integral.

"Com uma maior possibilidade de maior oferta de matérias-primas de produtos orgânicos, nós vimos a possibili- dade de lançar essa linha de produtos orgânicos. O consumidor relaciona os pratos prontos ao excesso de aditivos, como conservantes e sal. Então, ele vê essa novidade de forma positiva", afirmou o gerente de exportação da Vapza, Luiz Fernando Mion.

Os números do mercado internos são considerados positivos, já que a regulamentação por aqui ocorreu apenas em 2011. Em mercados mais desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, isso aconteceu bem mais cedo - em 2001 e 2004, respectivamente.

Fonte: DCI

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