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Safra e indústria amenizaram tombo na receita de serviços

Volume de negócios do setor caiu quase 2% em maio, sobre um ano antes, em um resultado marcado pela maior busca por serviços de transporte terrestre

Data: 14/07/2017

O maior volume de caminhões nas estradas em função do período de safra e o tímido avanço na produção industrial foram responsáveis por aliviar a retração no setor de serviços em maio, sobre um ano antes. A queda de 1,9%, apontada pelo IBGE, foi menor que nos meses anteriores, mas não o bastante marcar o ponto de inflexão para retomada do setor.

Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e apontam que, em maio, ante a abril, o setor conseguiu um avanço de 0,1% no volume de negócios, número ainda muito baixo, já que o segmento enfrenta sua 25º retração mensal seguida na comparação interanual.

"Não dá ainda para afirmar que há uma recuperação", ponderou o analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha. "Desde abril de 2015, o setor de serviços vem apresentando taxas negativas. Na verdade, vem caindo desde janeiro de 2015. O movimento foi interrompido em março daquele ano (2,3%), daí voltou à trajetória de queda", lembrou o pesquisador.

Para os economistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) o segmento de serviços terá uma retomada ainda mais tardia que o ramos industriais e do comércio.

"O setor de serviços, em comparação com a indústria e o comércio varejista, é quem pior tem se saído ao longo desses cinco primeiros meses de 2017. No ano, seu faturamento real acumula perdas de 4,4% e não registra nenhuma variação interanual positiva desde março de 2015, muito embora o resultado de maio de 2017 frente a maio de 2016 (-1,9%) tenha sido a queda mais branda desde o início da crise do setor", detalha o informe do Instituto.

De visão similar partilha o analista do IBGE. "O setor de serviços vinha desde outubro de 2016 apresentando um quadro que parecia de recuperação. Mas a queda de março (-2,6%) interrompeu essa trajetória", avaliou Saldanha. "O setor de serviços ficou praticamente estável em relação a abril", completou Saldanha.

Por setor

No quinto mês do ano os destaques na avaliação por segmento se deu no transporte terrestre - puxado basicamente pelo leve fôlego da indústria e as previsões de safra recorde este ano. "Há maior demanda por parte do setor industrial e agrícola, que contrataram mais os serviços de transportes, e também o aumento das exportações, que no caso atingiram mais o ramo aquaviário. Como tem um peso pequeno, foi o transporte terrestre que teve contribuição maior para o crescimento, não só o rodoviário mas o ferroviário também", explicou Saldanha.

Já o desempenho dos serviços prestados às famílias teve contribuição do arrefecimento da inflação. "Observamos uma melhora na renda das famílias e também uma estabilidade dos preços dos serviços que compõem o grupo. Então isso de uma certa forma contribuiu para um incremento", justificou o analista do IBGE.

Na direção oposta, os segmentos com perdas em maio foram os de Outros serviços (-6,2%); Serviços profissionais, administrativos e complementares (-5,7%) e Serviços de informação e comunicação (-2,9%). "Os serviços de informação e os profissionais têm peso muito grande. Eles interferiram de uma forma negativa para que o total ficasse ainda negativo", lembrou Saldanha.

O agregado especial das Atividades turísticas registrou recuo de 5,2% em relação a maio de 2016. A taxa acumulada pelo setor de serviços em 12 meses passou de um recuo de 5,0% em abril para uma queda de 4,7%, relata o IBGE.

Fonte: DCI

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