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Safra de soja deve bater recorde e crescer 3,7%

Clima favorável, com perdas apenas pontuais, permitiu o avanço da produção brasileira e ampliou a rentabilidade no campo; volume da safrinha de milho também poderá surpreender  

Data:28/03/2018


A safra de soja brasileira deve alcançar um novo recorde de 118,9 milhões de toneladas em 2017/2018 ante as 114,6 milhões de toneladas da temporada passada, projetou ontem o sócio diretor da Agroconsult, André Pessôa.

O avanço se deve ao aumento de produtividade em regiões como o Centro-Oeste e Mapitoba, em razão do clima favorável no campo, mesmo com problemas pontuais, o que permite maior rentabilidade ao produtor. A região Sul foi a única em que a produtividade foi menor.

Os dados foram compilados a partir do Rally da Safra, expedição que percorreu, com nove equipes, áreas de produção de soja no País neste verão. Outros quatro grupos percorrerão áreas de cultivo de milho safrinha em maio e junho para acompanhar a segunda safra.

A produtividade média das lavouras de soja deve alcançar 56,5 sacas por hectare neste ciclo ante 53,6 sacas em 2016/2017. “Se tivéssemos um clima com a mesma regularidade do ano passado, teríamos ultrapassado 120 milhões de toneladas e 57 sacas por hectare de produtividade”, estimou Pessôa.

Além da maior produção, o sojicultor deve encerrar este ciclo com mais dinheiro no bolso devido à perspectiva de menor oferta da Argentina, que proporcionou um preço maior para a saca. Conforme Pessôa, de setembro de 2017 a agosto deste ano, a média do bushel deve ficar em US$ 10,30. No começo da safra, a cotação era de US$ 9,50. “A expectativa era de margens abaixo do ano passado. Mas o câmbio e a produtividade maiores do que esperado formaram uma combinação poderosa.”

Essa melhora na rentabilidade do produtor se refletiu no avanço da comercialização da safra do Cerrado que, segundo ele, estava muito atrás de anos anteriores. “Não é uma margem folgada, mas deve fazer o agricultor voltar a investir mais cedo do que esperado.” 

Para o próximo ano, a perspectiva é de que a área cultivada com soja cresça um milhão de hectares ante os 35,1 milhões de hectares deste ano. “A maior parte deste aumento se dará pela conversão de áreas de pastagem em soja e não sobre áreas antes cultivadas com milho”, projetou. 

Milho
Para a Agroconsult, a safra de grãos brasileira deve atingir 232 milhões de toneladas ante 237 milhões de toneladas colhidas no ano passado. “Mas, assim como tivemos uma surpresa na soja, pode ser que tenhamos no milho safrinha, já que o clima está ajudando bem”, disse Pessôa.

Ele estima uma área muito próxima do ano passado de milho safrinha, sendo que alguns estados devem plantar menos como o Paraná. A produção deve somar 63 milhões de toneladas na segunda safra ante 70 milhões de toneladas no ciclo passado. Ao todo, devem ser colhidos 88 milhões de toneladas do cereal ante 99 milhões de toneladas na safra passada. “Mas ainda temos que esperar pelas chuvas de abril, que podem trazer uma surpresa positiva”, estimou.

Segundo Pessôa, os produtores de milho – que já viram os preços subirem após as notícias de quebra de safra na Argentina – podem ter uma surpresa de rentabilidade. Amanhã, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) divulgará um novo levantamento em que deve diminuir a projeção de área cultivada com milho e aumentar a da soja no país pela primeira vez, segundo o sócio da Agroconsult.

“Isso traz a possibilidade de mercado internacional mais firme para o milho, próximo dos US$ 4 por bushel”, disse. “Com uma produção menor dos EUA, vamos ter mais firmeza globalmente, o que pode compensar um eventual crescimento da safrinha brasileira.” Para a próxima temporada, ele projeta que as áreas destinadas ao cultivo de milho devam recuar, mas não tanto quanto diminuíram neste ano. “Mas para a próxima safrinha, a expectativa é de retomada de expansão de áreas.”

Fonte: DCI

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