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Qualificação do agronegócio ajuda na sustentabilidade do setor externo

Apex Brasil afirma ter atuado para ajudar segmento a agregar valor em seus produtos e espera que País firme mais acordos de comércio daqui para frente, o que deve impulsionar as exportações

Data: 27/07/2017

O avanço das exportações no primeiro semestre deste ano foi puxado por fatores conjunturais, porém o Brasil tem capacidade para se inserir com mais sustentabilidade no mercado internacional.

A avaliação é do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) , Apex Brasil, o embaixador Roberto Jaguaribe.

Durante o EnecobMercado Exportação e Atração de Investimentos, que começou ontem em Porto Alegre (RS), o embaixador afirmou que a safra agrícola recorde do País, aliada à demanda internacional de algumas commodities, como o petróleo, tiveram um impacto decisivo no avanço de 19,3%, para US$ 107 bilhões, das nossas vendas externas no primeiro semestre de 2017, ante igual período do ano passado.

Ele acrescentou que o câmbio e a contração da demanda interna em decorrência da recessão econômica tiveram efeito positivo nesta alta, mas que fatores estruturais ajudaram, como a capacidade produtiva do setor agrícola a qual, em sua avaliação, ainda precisa se desenvolver muito mais.

Jaguaribe cita um estudo da FAO que mostra que, nos próximos 15 a 20 anos, o mundo irá precisar de 20% a mais de alimentos do que temos hoje. Para ajudar a alcançar esta meta, o Brasil precisaria produzir 40% a mais de alimentos do que produz atualmente.

Ele, reforça que, para isso, o País não precisaria realizar um quinto do esforço do que as outras nações agrícolas teriam que fazer para alcançar esta meta. Jaguaribe exemplifica que hoje há 190 milhões de hectares de terra subutilizados que podem ser melhor manejados para que o Brasil consiga se inserir na crescente demanda por alimentos. O desafio, porém, é agregar valor aos produtos agrícolas.

Esforço

Segundo o embaixador, o nível de processamento industrial dos nossos alimentos ainda é muito baixo. Uma das formas que a Apex-Brasil encontrou para ajudar neste processo é a criação do Programa de Acesso a Mercados do Agronegócio e Alimentos (PAM-Agro), um trabalho de concentração de forças de entidades ligadas ao agronegócio, inclusive governamentais, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que têm o objetivo de impulsionar o setor agrícola no mercado internacional de forma mais qualificada, com um levantamento de dados científicos sobre o setor.

Esta reunião de dados mais qualificados servirá de subsídio para combater eventuais informações equivocadas sobre o segmento e para que os investidores e compradores interessados tenham uma clareza maior do potencial da área, além de ajudar a imagem do Brasil lá fora.

Para Jaguaribe, no entanto, o País ainda esbarra no problema da competitividade e dos juros altos. Sobre o primeiro, o embaixador acredita que as medidas econômicas e reformas que estão sendo implementadas por este governo, como a trabalhista, podem beneficiar no ganho de produtividade no médio prazo. Por outro lado, os juros reais altos intimidam os investimentos dos empresários ligados à indústria e ao agronegócio.

Já para a diretora de negócios da Apex-Brasil, Márcia Nejaim, a perspectiva é que o Brasil assine mais acordos de comércio, o que deve dinamizar ainda mais o setor externo nacional. Ela conta que nesses dois últimos dois anos de crise no Brasil, o número de empresas que procuraram a agência de investimentos para internacionalização aumentou. Mas a diretora destaca que o processo de abertura de mercado é demorado e, por isso, o resultado desse maior interesse pode vir só no longo prazo. /A repórter viajou a convite dos organizadores do encontro.

Fonte: DCI

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