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Qualidade do trigo produzido no País preocupa agricultores e indústrias

A produção foi estimada em 4,8 milhões de toneladas na temporada 2017, o que representa uma retração de 27% em relação a safra passada quando foram colhidas 6,7 milhões de toneladas

Data: 25/10/2017

A chuva chegou ao campo no momento da semeadura e não durante o desenvolvimento das plantas
Foto: Dreamstime

A qualidade do trigo que começa a ser colhido na safra 2017 tem sido motivo de dor de cabeça para produtores. O excesso de chuva no Rio Grande do Sul e no Paraná, os principais produtores do cereal, chegou ao campo no momento do plantio e não no desenvolvimento das plantas, quando era necessário.

Com isso, a produção foi estimada em 4,8 milhões de toneladas, queda de 27% frente ao ciclo de 2016.

"A lavoura teve chuva em excesso, geada e estiagem e novamente chuva. O resultado disso é que não só a produção será menor do que esperado mas também a qualidade", afirma o técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS), Cláudio Doro. No Rio Grande do Sul, 10% dos 727,7 mil hectares cultivados já foram colhidos e a produção deve chegar a 1,3 milhão de toneladas no Estado, ante previsão inicial de 1,7 milhão de toneladas.

A baixa produção já era esperada devido à redução da área cultivada com trigo no País, que caiu 9,5%, para em 1,9 milhão de hectares. O que o produtor não contava era com um cereal qualidade inferior. "Essa menor qualidade tem dois efeitos: haverá menos disponibilidade de sementes e maior demanda por importação, o que vai encarecer o produto para o consumidor final, já que o trigo do Estado será ainda mais direcionado para a produção de massas e biscoitos", esclarece Doro.

Na avaliação do técnico, o produtor também será prejudicado, uma vez que o produto de menor qualidade tem menor valor. "O agricultor investiu na lavoura e não vai ter o retorno", diz. Os relatos de perdas já começam a ser periciados pela Emater para que os produtores possam ter acesso ao seguro rural, mas ainda não há informações sobre a extensão do prejuízo. "Isso certamente terá repercussão na próxima safra. O produtor costuma fazer planos com base no sucesso ou no fracasso do ciclo anterior e isso nos leva a crer que o plantio será menor no ano que vem."

No Paraná, o maior produtor do Brasil, a temporada deve atingir 2,2 milhões de toneladas - inferior a previsão inicial de 2,6 milhões de toneladas.

Tendo em vista que o consumo do País é de 11,5 milhões de toneladas, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) projeta que haverá importação de 7 milhões de toneladas do cereal, acima das 5 milhões de toneladas estimadas antes. "Toda a safra terá uma qualidade menor", acredita o presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, Marcelo Vosnika.

Ele acredita, porém, que com a entrada de mais trigo argentino, os preços do produto brasileiro não devem ficar achatados, já que há uma grande oferta mundial. "O que isso vai fazer é determinar um teto para os preços, mas não derrubar a cotação", avalia. A tonelada do produto brasileiro no Paraná está avaliada em R$ 650. Já o produto da Argentina está cotado a US$ 180 a tonelada. Convertendo para a taxa de câmbio atual, de cerca de R$ 3,20, a tonelada argentina sairia por R$ 576. Com a entrada da nova safra do país vizinho, em dezembro próximo, esse valor tende a recuar.

"Com o aumento da necessidade de trigo importado, os moinhos que ficam mais distantes dos portos - que costumavam pagar mais barato pela produção local - terão um aumento de custos para comprar o trigo de fora", explica Vosnika. "Mas não acredito que o consumidor final será penalizado. Isso só vai acontecer se o dólar aumentar muito", opina.

Fonte: DCI

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