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Produto com valor agregado acelera avanço de cooperativas

Perspectiva. A profissionalização da gestão cooperativista tem contribuído para impulsionar os negócios que, hoje, vão além das commodities agrícolas e passam por industrialização e crédito

Com a aposta em produtos de valor agregado, as cooperativas agrícolas aceleraram o processo de expansão e estão ganhando, diretamente, os mercados interno e externo. A safra recorde e cotações positivas completam a conjuntura para mais um ano no azul.

A estrutura do cooperativismo brasileiro passou por um processo de melhoria na gestão, seguido por crescimento na oferta de crédito, analisa o coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (GV Agro) e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

Agora, a ampliação de processos industriais de produção é o terceiro movimento que veio para incrementar as receitas do setor. "As cooperativas deixaram de apenas vender commodities para entrar no produto de valor agregado", enfatiza o especialista.

Para ele, 2017 será um ano para o segmento ganhar em escala - proveniente das estimativas de colheita 15,3% superior na safra de grãos do País, para 215,3 milhões de toneladas - e em renda, por conta do otimismo nos preços praticados por determinadas culturas como o café. O faturamento total do setor no ano passado ainda não foi consolidado, informou a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Em ascensão

A Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), que atende sete mil cooperados em 13 municípios de Goiás, superou a quebra na safra de grãos vivenciada em 2016 com aumento nas vendas de fertilizantes, ração animal, insumos industrializados.

"Tivemos crescimento real de faturamento, mesmo com margens menores", revelou ao DCI o presidente da unidade, Antonio Chavaglia.

De acordo com o executivo, a receita da Comigo somou R$ 3,8 bilhões no ano passado, 40% acima dos R$ 2,7 bilhões obtidos em 2015. Só com a venda de rações os ganhos saltaram 30%, ao passo que as transações no segmento industrial cresceram menos de 3% no período. Cerca de 400 mil toneladas de alimento para gado, aves, suínos e outros animais foram fabricados pela cooperativa. Cinco mil toneladas de soja são esmagadas pelas unidades goianas diariamente e, através da venda de farelo e óleo, a cooperativa acessa o mercado internacional.

"Quase R$ 20 milhões foram investidos desde o ano passado. A capacidade de armazenagem foi ampliada para 1,4 milhão de toneladas com a entrada de dois silos que cabem 150 mil sacas de grãos", ressalta Chavaglia.

Entre o oeste e o sul do Paraná, a Coopavel Cooperativa Agroindustrial atende 17 municípios e conta com 4,75 mil associados que fornecem grãos, insumos, aves, suínos, além da filiação com agroindústrias de soja, trigo e rações. O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, diz que pelo menos 70% dos produtos é de valor agregado. No caso do frango, por exemplo, 45% vai para a exportação, assim como o óleo e farelo de soja. É justamente o crescimento nas vendas externas de carnes que devem promover o incremento de 7,14% no faturamento dos embarques, esperado para 2017.

Em 2016, a receita da Coopavel fechou em R$ 2,12 bilhões, 9% acima do exercício anterior. Desse montante, US$ 140 milhões vieram de compradores internacionais.

No mês que vem a unidade cooperativista - uma das maiores da região Sul - ainda promove o Show Rural Coopavel, uma feira para difusão de tecnologia agrícola.

No âmbito dos cultivos perenes, o café se destaca pela remuneração elevada ao produtor, oriunda de oferta ajustada. O presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Carlos Alberto Paulino da Costa, avalia que a quantidade de grãos recebidos aumentou no ano passado e, com isso, houve a necessidade de melhora na infraestrutura. Aproximadamente R$ 20 milhões foram aportados a partir de 2016: a capacidade de estocagem subiu de um milhão de toneladas para seis milhões de toneladas e o processo industrial também ganhou novas linhas.

Em 2016, a Cooxupé produziu 6,2 milhões de sacas, contra 5,2 milhões em 2015. Forte entre os pequenos produtores, a unidade comporta mais de 13 mil associados, em 200 municípios entre o sul de Minas Gerais e São Paulo.

Tradicional exportadora, a cooperativa também mantém marcas de café torrado que são vendidas em grandes supermercados pelo Brasil.

Crédito cooperativista

"Se as cooperativas de crédito fossem um único sistema financeiro, somadas, seriam o sexto maior banco do País, atrás apenas do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Bradesco e Santander", calcula o coordenador da GV Agro, Roberto Rodrigues.

O último levantamento do Ministério da Agricultura, referente ao primeiro semestre da safra 2016/ 2017 mostra que este segmento teve desempenho positivo tanto nas liberações de recursos a juros controlados quanto a taxas livres.

Ao DCI, o presidente do Bancoob (banco que dá suporte às operações financeiras do Sicoob), Marco Aurélio Almada, estimou expansão de 15% para todo o crédito contrato via cooperativa no atual Plano Safra. Particularmente, o Bancoob espera fechar este ciclo com R$ 10,4 bilhões em novos empréstimos, contra R$ 8,8 bilhões de 2015/2016.

Já a gerente de Crédito Rural do Banco Cooperativo Sicredi, Marilúcia Dalfert, afirma que as captações de poupança subiram 35% no ano passado, proporcionando elevação de 31% nos recursos contratados nesta temporada, contra o ciclo passado, para R$ 7 bilhões - quase a totalidade rural.

Fonte DCI

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