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O bom sinal do agronegócio

O primeiro sinal de um ano melhor na economia, depois de uma longa recessão, vem do campo. Em novo recorde, a safra de grãos deve chegar a 215,3 milhões de toneladas na safra 2016-2017, segundo a nova projeção divulgada pelo Ministério da Agricultura. A produção será 15,3% maior que a da temporada anterior, se os fatos confirmarem as previsões dos técnicos. Se o tempo continuar como se prenuncia, haverá mais notícias boas, disse o secretário de Política Agrícola, Neri Geller, chamando a atenção para um detalhe especialmente animador: as estimativas de volume aumentaram mês a mês até o quarto levantamento, concluído em janeiro.

No ano recém terminado, mais uma vez o agronegócio foi a salvação do comércio exterior brasileiro, com exportação de US$ 84,93 bilhões e superávit de US$ 71,31 bilhões. Este saldo compensou com folga, como em outros anos, o déficit conjunto de outros setores. Como resultado, foi possível contabilizar um superávit de US$ 47,7 bilhões nas trocas de mercadorias, um excedente muito maior que o de 2015, quando o saldo comercial ficou em US$ 19,7 bilhões.

As perspectivas de produção de soja, o principal produto de exportação do agronegócio, são especialmente favoráveis. Está prevista uma colheita de 103,8 milhões de toneladas, com aumento de 8,7% em relação ao volume da temporada 2015-2016. Mas um crescimento bem maior está projetado para o segundo produto mais importante do conjunto de grãos. Estimada em 84,5 milhões de toneladas, a safra total de milho deve ser 26,9% maior que a do período anterior. Boa parte do milho é exportada de forma indireta: usado como ração, esse alimento é muito importante para a produção de aves e suí- nos, dois grandes itens da pauta de vendas do agronegócio. Uma boa safra de grãos – mais precisamente, de cereais, leguminosas e oleaginosas – consolida a perspectiva de inflação mais moderada em 2017.

A alta de preços ao consumidor, em 2016, foi em parte acentuada pela redução de oferta de produtos importantes, consequência do tempo desfavorável em áreas produtoras. A produção total de feijão, nas três safras colhidas em cada temporada, deve ser 24,2% maior que a de 2015-2016, com 3,12 milhões de toneladas. Considerado um dos pesadelos das donas de casa em 2016, esse produto será muito mais acessível neste ano, como já está sendo no verão, quando é comercializada a primeira das colheitas.

Com o volume previsto para o ano agrícola 2016-2017, o estoque final de feijão deve passar de 188,1 mil para 212,2 mil toneladas, maior que o da temporada anterior à quebra de safra (196,1 mil toneladas). O volume remanescente ainda será modesto, mas as condições de oferta serão, sem dúvida, muito melhores e deverão contribuir para a redução dos sustos nos supermercados. No período de um mês encerrado em 7 de janeiro, o feijão carioca ficou 13,5% mais barato no varejo, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.

As condições da oferta de alimentos e matérias-primas produzidas pelo agronegócio para o mercado interno e para exportação dependerão de várias classes de lavouras e de cria- ções. A safra de cereais, leguminosas e oleaginosas – algodão, arroz, feijão, milho, soja, trigo e grãos produzidos em menores volumes – é apenas um componente de um conjunto.

É preciso levar em conta outros tipos de lavoura, como a de cana e a de café, além de vá- rios segmentos da produção animal. Mas a produção anual de grãos tem particular importância tanto para o comércio exterior como para a formação dos preços internos e, portanto, para o custo de vida. Arroz, feijão e milho, afinal, pertencem a esse conjunto, assim como o trigo, um cereal produzido em volume insuficiente para a demanda interna, mas, ainda assim, um importante componente do conjunto.

Se nenhuma surpresa negativa ocorrer na distribuição e no volume das chuvas, o agronegócio, o setor mais competitivo da economia nacional, terá desempenho bem melhor que no ano passado e ajudará na recuperação econômica, num ambiente de inflação declinante.

Fonte: O Estado de S.Paulo 10 de janeiro de 2017

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