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Nova safra de cana-de-açúcar derruba preço do etanol na usina

Aos poucos, o etanol hidratado volta a ganhar competitividade em relação à gasolina no Estado de São Paulo. Após a disparada no último trimestre do ano passado, os preços atuais já são 18% inferiores aos daquele período.

A aceleração nos valores do álcool no final da safra 2016/17, puxada pela preferência das indústrias na produção de açúcar -mais rentável-, fez o combustível perder competitividade e espaço para a gasolina.

Com a chegada da entressafra, o litro de etanol hidratado foi negociado a R$ 1,91 na usina no final de outubro. Na semana passada, o valor era de R$ 1,57, com queda de 18% no período. Já o anidro, que atingiu R$ 2,11 em novembro, esteve a R$ 1,67 na semana passada -21% menos-, aponta o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Os preços caem na porta das usinas devido à chegada da nova safra, a 2017/18, que se inicia em abril próximo.

As indústrias que ainda têm etanol aumentaram a oferta no mercado para não carregar esses estoques para o próximo mês, quando a oferta de produto aumenta.

Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) alerta, no entanto, para o fato de que a queda de preços do etanol nas usinas ainda não chega ao consumidor.

A R$ 1,5662 por litro, o etanol hidratado deveria estar com percentual de 67% do preço da gasolina, mas está a 75% em São Paulo.

Pesquisas indicam que, quando o etanol fica com margem de 70% ou menos em relação à gasolina, é vantagem para o consumidor a utilização do derivado de cana nos carros com motor flex.

Parte da queda dos preços nas usinas ainda está embutida nas margens de distribuidoras e de postos, segundo Padua. A redução no volume vendido de combustíveis provoca a manutenção de margens maiores.

Mas, em algumas cidades do Estado, já há transferência da queda de preços das usinas para o consumidor. Ribeirão Preto é uma delas, segundo o diretor da Unica.

O etanol já tem preços mais competitivos do que a gasolina desde a semana retrasada nessa cidade. Na semana passada, pelo menos mais uma dezena de outras cidades entraram na lista.

A safra 2016/17, que se encerra neste mês, terá uma moagem de 605 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.*

Recorde: A safra de soja no Brasil deverá atingir 110 milhões de toneladas, prevê a consultoria Céleres, de Uberlândia (MG). Essa é a maior estimativa de produção nacional para a oleaginosa já divulgada.

Abaixo: A AgRural, de Curitiba, também divulgou projeções para a produção de soja nesta safra 2016/17, mas aponta um número menor. Os analistas da agência acreditam que a safra fique em 107 milhões de toneladas.

Produtividade: A Céleres estima a área de produção em 33,9 milhões de hectares, com uma produtividade média de 3,23 toneladas cada um. O maior crescimento de produtividade ocorre no Nordeste, onde a evolução será de 39%.

Renda: Diante desses números e dos preços atuais, a Céleres prevê que o produtor tenha rendimento médio de R$ 1.036 por hectare nesta safra na margem operacional.

Também recordes: A AgRural estima que a produtividade média fique em 3,18 toneladas por hectare e que a área semeada tenha sido de 33,6 milhões de hectares.

Milho: A Céleres também prevê um bom ano para o milho, elevando a produção do cereal para 98 milhões de toneladas na safra 2016/17. A safra de inverno, com crescimento de 42%, poderá chegar a 64 milhões de toneladas.

Produtividade: A AgRural prevê uma produção total de 91 milhões de toneladas de milho. Desse volume, 62 milhões virão da segunda safra. Já a produtividade média prevista pela Céleres para a safra de inverno é de 5,65 toneladas por hectare.

Fonte: Folha de S.Paulo. 

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