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Importação complementar de cacau é única opção para a indústria processadora manter a produção

Há vários anos, cacau vindo de Gana tem ajudado no abastecimento do parque fabril nacional. A importação segue rigorosamente as medidas sanitárias previstas nas leis vigentes brasileiras

Brasília, 8 de fevereiro de 2017 – O ano de 2016 fechou com forte redução na produção de cacau no Brasil, devido à crise hídrica que assolou, sobretudo, as lavouras do principal estado produtor, a Bahia. Com uma redução de 77 mil toneladas (34%) em relação a 2015, a quantidade entregue foi insuficiente para o abastecimento da indústria, cuja capacidade de moagem está em 275 mil toneladas, atualmente. A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) esclarece que foi inevitável aumentar as importações da amêndoa para evitar que o setor reduzisse suas atividades e evitasse demissões. Sem a medida, o setor teria comprometido seus contratos de exportação com a geração de divisas que o Brasil necessita. 

Segundo apurou a AIPC, a indústria fechou o 4° ano consecutivo de queda na moagem, com o total de 217 mil toneladas em 2016 (o último ano com crescimento foi 2012 com 236 mil toneladas). O resultado indicou redução de 8% sobre o ano de 2012, e apontou um percentual muito abaixo da capacidade instalada atual, de 275 mil toneladas. Não fosse este cenário de queda da moagem, por reflexo da menor demanda do mercado interno, a importação complementar que a indústria foi obrigada a realizar teria que ser ainda maior.   “Atualmente a indústria ocupa apenas 79% de sua capacidade, mas se tivesse de utilizar 100%, teríamos de ter uma importação ainda mais elevada, para complementar o abastecimento interno que foi de 152 mil toneladas”, observa o diretor executivo da AIPC, Eduardo Bastos.  

No ano passado, a indústria processadora teve de aumentar a importação do cacau em 57 mil toneladas, diante de uma redução na oferta local de 77 mil toneladas. O insumo provém de Gana, a única fonte de suprimento externo da amêndoa permitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), atualmente.  O cacau proveniente da Costa do Marfim (maior produtor e exportador mundial), embora tenha sua importação autorizada por dispositivo legal, conforme prevê  a Instrução Normativa IN 47/2011, encontra-se há mais de 5 anos com restrições ainda não esclarecidas.  

Importações e controle de pragas- Há vários anos, a indústria processadora no Brasil vem importando o cacau de Gana (segundo maior produtor e exportador do mundo, que fornece inclusive para países produtores, como a Indonésia). Apesar do receio de alguns produtores rurais, em relação à contaminação por pragas e doenças no processo de importação, este cacau que chega de fora aos portos brasileiros passa por todo o processo e manejo exigidos pelo MAPA e pela regulamentação sanitária prevista nas leis vigentes. “Ao longo de todo este período,  nunca tivemos qualquer problema em relação a contaminações por doenças. Este é um cuidado que interessa não só aos produtores, mas também à indústria, uma vez que dependemos do cultivo interno para sobreviver”, salienta o executivo da AIPC.   

A entidade reforça que o fato de ter de importar o cacau para abastecer a indústria não é a situação ideal, pois a medida eleva os custos, gera incertezas e a necessidade de afretamento de navios para somente este tipo de carga, além de ser um processo muito mais burocrático. “A importação é sempre desvantajosa, mas tem sido a única maneira de cobrir a instabilidade da produção nas últimas décadas. Sem a importação, a indústria já teria reduzido ainda mais suas atividades no País, trazendo enormes prejuízos ao setor, notadamente aos produtores de cacau, uma vez que a presença da moagem interna é que garante a liquidez do cacau e preços, em geral, mais interessantes aos praticados na bolsa de NY. Por isso, estamos sempre, de alguma fora, buscando apoiar o cultivo nacional, atuando conjuntamente com os produtores em pautas que busquem melhorias para o cultivo, como as discussões de medidas que ajudem a mitigar a seca e em torno do reforço sanitário de prevenção e combate a pragas e doenças que possam afetar a lavoura cacaueira”, explica Bastos. 

A AIPC tem se estruturado para apoiar a realização de um seminário para a discussão técnica de combate às pragas, não só quarentenárias, mas também das existentes, como a Vassoura de Bruxa. “Para reduzir a necessidade de importação, estamos construindo um plano de dobrar a produção nacional em 10 anos, com todo setor produtivo, desde os produtores, passando pela indústria de confeitos, Governo e terceiro setor. Esperamos colocar em prática as primeiras ações ainda em 2017”, revela o executivo.  

Seca- Em 2016, o cenário hidrológico que se mantinha muito ruim na Bahia (maior produtor de cacau do Brasil) se agravou, e a seca atingiu também praticamente todas as regiões produtoras do País, inclusive o Pará. O reflexo disso vem sendo a queda crescente da produtividade. No Brasil, toda a produção de cacau, medida pela soma de recebimentos da indústria, sofreu uma grande queda, de 209 mil toneladas em 2015, para algo em torno de 152 mil para a safra 2016. O pior resultado da produção de cacau dos últimos anos. 

Sobre a AIPC - A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau, representa 95% do parque processador de cacau no Brasil, gerando mais de 4.200 empregos diretos nas cinco fábricas instaladas na Bahia e em São Paulo. As empresas associadas à AIPC (BARRY CALLEBAUT, CARGILL, INDECA E OLAM/JOANES) instalaram-se no Brasil há mais de 40 anos, quando havia abundância de cacau e grandes excedentes de exportação. Hoje, o país é o sexto maior produtor mundial. Na área de confeitos, o Brasil tem o terceiro maior parque confeiteiro do mundo, atrás dos Estados Unidos e Alemanha; e se esforça para tornar-se o segundo nos próximos anos, mas carece do suprimento regular e seguro de matéria-prima para sua indústria, em meio a uma cadeia de cacau e chocolates que participa do PIB BRASIL com mais de R$ 15 bilhões. 

 

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