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Grãos da safra passada travam armazéns do RS

Trigo é um dos principais produtos com dificuldade de liquidez no mercado, por estar com preços abaixo do mínimo, e ocupa espaço nas reservas dos agricultores

Soja e trigo colhidos na safra 2015/2016 ainda ocupam parte dos armazéns de grãos do Rio Grande do Sul. Mas com a chegada das commodities desta temporada (2016/2017) foi instalado um déficit de armazenagem no estado.

A orientação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para todos os países e estados produtores é que a capacidade de armazenamento corresponda a 120% da colheita. No entanto, o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Sistema Farsul), Antônio Luz, calcula que a infraestrutura gaúcha de armazenagem representa cerca de 100%.

"Não há dúvida que estamos investindo neste segmento, mas o aumento da safra é muito grande", observa o especialista. O estado tem uma posição mais confortável que a média nacional, porém alguns sojicultores deixaram de vender à espera de janelas de negociação mais atrativas. Os produtores de trigo, que assistem cotações abaixo do mínimo estabelecido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para manutenção da atividade, de R$ 557,50 por tonelada, também têm dificuldade para escoar a produção.

A discussão esteve presente na 18ª feira agrícola Expodireto Cotrijal, que ocorreu na semana passada em Não-Me-Toque (RS). Na ocasião, o presidente da cooperativa Cotrijal, Nei César Mânica, admitiu que reservar a colheita do ciclo vigente será um problema. Para manter o atendimento aos associados, a cooperativa recorreu ao aluguel de armazéns na região.

"Nossa colheita se formou em um período muito curto. Há o entrave da capacidade [de armazenagem] e a logística até o porto é muito complicada", pontua Mânica. Nos cálculos do líder cooperativista, a despesa de transporte pode crescer de 9% a 21% nesta época do ano.

Após a abertura da feira, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), disse a jornalistas que "capacidade de armazenagem não é papel do governo, mas é muito melhor ter produção e problemas para armazenar do que não ter produção". Ele se referia a anos em que a ocorrência de problemas climáticos limita o desempenho do campo.

De acordo com levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS), a safra gaúcha de verão 2016/2017 deverá alcançar 30,86 milhões de toneladas. O montante de causar um impacto econômico no valor bruto que ultrapassa a marca de R$ 29 bilhões. O milho é a cultura que apresenta o maior aumento de área plantada, 10,31%, mais de 816 mil hectares. Estima-se um ganho de 17,26% na produção, para 5,55 milhões de toneladas.

Gargalo nacional

Conforme a última divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada no ano passado, a capacidade de armazenamento no Brasil estava em 166,1 milhões de toneladas. Em contrapartida, a estimativa de safra de grãos da Conab, divulgada neste mês, indica que o País colherá 222,9 milhões de toneladas em 2016/2017.

O déficit de armazenagem faz com que o agricultor tenha que vender a produção para liberar espaço e, ocasionalmente, perda as melhoras oportunidades de negócios, ressaltam os especialistas do setor.

"A folga de 20% [na capacidade] foi planejada justamente para evitar estes problemas. Sem contar que a orientação da FAO se baseia pela maioria dos países que tem uma única safra por ano. No Brasil, temos duas safras e, então, esse percentual de 120% deveria ser ainda maior", acrescenta o economista-chefe da Farsul.

Fonte: DCI

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