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Fertilizante especial deve crescer 10% em 2018 com produtor capitalizado

Perspectiva de safra farta e de aumento na demanda por alimentos vão estimular o investimento em novas tecnologias no sistema de produção neste ano, projeta entidade que reúne fabricantes

Data: 15/02/2018

Renovabio poderá estimular produtores e indústrias a investirem em tecnologias nas áreas de cana
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A recuperação da economia e a consequente melhora no consumo de alimentos e renda do produtor devem elevar em 10% as vendas de fertilizantes especiais em 2018, estima a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo).

A associação reúne aproximadamente 100 empresas que produzem fertilizantes foliares, biofertilizantes, orgânicos, organominerais, condicionadores de solo e substratos para plantas. Já o setor conta com 459 companhias e movimentou R$ 5,8 bilhões em 2016.

De acordo com o presidente do conselho deliberativo da Abisolo, Clorialdo Roberto Levrero, o crescimento em 2017 deve ser de 10% em relação ao ano anterior. Caso a projeção se confirme, isso significa movimentação de R$ 6,3 bilhões no ano e de R$ 7 bilhões em 2018.

O crescimento esperado inicialmente para 2017 era de 23%, projeção que foi revista para 12% em julho do ano passado e, novamente, agora. “Vários fatores influenciaram essa revisão, especialmente o cenário político, que acabou desestimulando alguns investimentos do setor agrícola e na economia como um todo, que desacelerou”, avaliou o executivo da Abisolo.

Segundo ele, a perspectiva de crescimento estava amparada no aumento da demanda por fertilizantes especiais por parte de alguns segmentos que não tiveram o resultado esperado no ano passado. “Alguns setores como o sucroalcooleiro, que está começando a adotar novas tecnologias – especialmente orgânicos e condicionadores de solo – tiveram um ano muito instável, o que prejudicou a capacidade de investimento. Estávamos contando com novas adesões à tecnologia neste segmento, que é representativo em volumes”, justificou.

Por outro lado, soja e milho, por exemplo, são culturas mais estáveis que, embora tenham registrado oscilações de preço, se mantiveram em um ritmo dentro do esperado. A soja é a principal cultura em volume na demanda por fertilizantes especiais, mas os produtores de hortifruti são os que adotam a maior quantidade de tecnologias. “As culturas que atendem exclusivamente o mercado interno sofreram uma queda, e influenciaram para que houvesse uma redução nessa expectativa”, explicou Levrero.

egundo ele, outro fator que levou à revisão foi a decisão de produtores de adiar as compras para 2018 devido ao atraso no plantio da safra de verão.


Perspectivas

Embora a perspectiva de crescimento para 2018 seja de repetir o desempenho de 2017, Levrero espera um ano melhor para as empresas do setor. “As culturas voltadas para o mercado interno estão sinalizando uma recuperação e obviamente, com a economia voltando a crescer, o consumo aumenta.” 

O executivo também acredita que a publicação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) poderá estimular o setor a investir mais em novas tecnologias. “O segmento está estagnado em produtividade há algum tempo e se tiver uma política mais sólida, tende a reagir muito rápido”, afirmou Levrero. O setor espera para o mês de março a publicação da regulamentação da política. Ele também destaca o crescente interesse de silvicultores no uso de fertilizantes especiais como motivo para o otimismo neste ano.

Apesar de 70% dos insumos virem da China, Levrero descarta a influência negativa do fechamento e interrupção da produção em unidades daquele país registrados recentemente. “Acredito que o setor se acomoda e logo encontra outros fornecedores.”


Nova gestão

Levrero assumiu neste mês o cargo na Abisolo e permanece à frente da entidade até 2019. Entre suas metas para a gestão, está a realização de pesquisas e de validação das tecnologias sobre o segmento.

“Existe uma carência muito grande de informações que possam mostrar para a sociedade e para o produtor o valor dessas tecnologias para o campo”, afirmou.

Segundo ele, a intenção é firmar parcerias para criar áreas demonstrativas e desenvolvimento de estudos. “Tem produtores que não usam essas tecnologias porque não conhecem”, argumentou Levrero.

Fonte: DCI

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