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Exportação deve repetir desempenho obtido em 2017 com melhora de preço

Projeção de quebra de safra da oleaginosa na Argentina pode estimular a elevação das cotações e animar produtores a negociar o grão; volume embarcado até o momento, porém, recuou 3%

Data: 26/03/2018

Embarques de soja somaram 12,4 milhões de toneladas de janeiro até o dia 17 deste mês no Brasil

Ainda que com atraso na comercialização, as exportações brasileiras de soja em grão devem repetir, neste ano, as 67 milhões de toneladas negociadas no ano passado, estima a Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec).

Conforme o diretor-geral da associação, Sérgio Castanho Teixeira Mendes, a comercialização do grão está atrasada em relação ao ritmo do ano passado devido ao atraso na colheita e também aos preços da oleaginosa, que estavam mais baixos no começo deste ano. “Mas ainda assim, esperamos um resultado igual ou até maior que o de 2017”, estima.

Com as perdas na Argentina aquecendo as cotações, a saca chegou a R$ 78,28 no porto de Paranaguá, no Paraná, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), aumento de 8% desde 1º de janeiro. Esse movimento deve animar produtores que precisam fazer caixa.

“Por outro lado, as incertezas quanto à real dimensão da quebra na safra da Argentina podem fazer com que os preços subam ainda mais”, estima Mendes. “O produtor que tiver condições de manter o grão estocado vai esperar”, complementa.

A projeção da associação é mais conservadora que a divulgada pela consultoria Agroconsult nesta semana, que aposta no embarque de até 72 milhões de toneladas da oleaginosa, com os Estados Unidos focando no embarque de farelo e abrindo espaço para o grão brasileiro no mercado internacional.

Os volumes embarcados desde o começo do ano estão próximos aos do ano passado, segundo dados da Anec. De janeiro até o dia 17 de março, o Brasil exportou 12,4 milhões de toneladas da oleaginosa, 3,1% a menos do que no mesmo período do ano passado. “Mais para o final da safra, os volumes tendem a ser maiores e os produtores mais dedicados ao milho safrinha devem liberar espaço para armazenar o grão”, avalia o diretor.

A favor dos embarques pesa a perspectiva de uma nova safra recorde da oleaginosa, estimada recentemente pela AgRural em 117,9 milhões de toneladas ante as 114,1 milhões de toneladas colhidas na temporada 2016/2017.

Ontem, a consultoria Informa Economics elevou sua projeção para o plantio de soja nos Estados Unidos em 2018, para 91,5 milhões de acres, um recorde caso se concretize, acima dos 91,1 milhões previstos anteriormente. Na avaliação da Anec, mesmo com o crescimento da oferta do grão norte-americano, a demanda firme do mercado chinês deve garantir mercado para a oleaginosa brasileira no exterior.

No caso do milho, ainda com a queda da produção, os embarques devem chegar a 30 milhões de toneladas, ligeiramente superiores aos 29,2 milhões de toneladas embarcadas no ano passado.

Até o dia 17 de março, os embarques somaram 3 milhões de toneladas, segundo a Anec, ante 1,2 milhão no mesmo período do ano passado. O incremento de 60% foi garantido pelo estoque de passagem após a safra de 2016/2017 e pela elevação dos preços, também em razão da perspectiva de quebra na safra de grãos da Argentina. A Informa Economics diminuiu sua estimativa para a produção dos Estados Unidos, um dos principais concorrentes do Brasil, para 88,9 milhões de acres, ante 89,179 milhões.

Logística

Mendes chama atenção, entretanto, para dificuldades logísticas que podem afetar os negócios com o mercado externo. No Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, a galeria de uma esteira de embarques cedeu e as atividades passaram a ser feitas de forma parcial no local.

A perspectiva, segundo a Anec, é que os trabalhos voltem ao normal em dois meses. “É um porto importante, grandes exportadores operam por lá e esse tipo de coisa preocupa se a solução demorar.” O dirigente estima que o escoamento de cargas deve ser desviado para portos próximos, como Paranaguá.

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Fonte: DCI

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