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Estudo da Embrapa confirma que produtor rural brasileiro é quem mais preserva o meio ambiente

Constatação foi feita em evento sobre a cafeicultura brasileira promovido nesta terça (25), em São Paulo, pela Cooxupé, BASF e ABAG

Quem mais preserva recursos naturais hoje no Brasil é o agricultor. A constatação é de um levantamento feito com base nos registros do CAR – Cadastro Ambiental Rural e recentemente concluído pela Embrapa. Os dados de Minas Gerais não deixam dúvida: 18% das matas preservadas naquele Estado estão nas propriedades rurais, percentual 6 vezes superior aos 3% conservados pelos parques públicos. A informação foi dada pelo chefe geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo de Miranda, em palestra no evento Brazil & Sustainable Coffee Conference, promovido nesta terça (25), em São Paulo, pela Cooxupé – Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé, BASF e ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio. O evento aconteceu na Ocesp – Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo.

“A constatação do nosso estudo não é uma estimativa, mas sim um retrato fiel da realidade das propriedades, uma vez que, com o satélite, temos condições de mapear cada metro quadrado do território analisado. Isso reforça a concepção de que o Brasil é, comprovadamente, um dos países que mais protege suas matas, já que temos 30,2% do nosso território conservado. Na sequência, entre os países de grande território, vem a Austrália que projete 17,2%”, explicou Miranda, salientando que no caso brasileiro a terra preservada é de qualidade e com grande potencial produtivo, ao contrário de outros países que incluem vários desertos nos seus cálculos de preservação. 

O evento, que além de debater aspectos da sustentabilidade da cafeicultura também celebrou os 60 anos da Cooxupé na atividade cafeeira, foi aberto pelo presidente da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho. Além de congratular a Cooxupé, o dirigente da ABAG enfatizou a importância do agronegócio para o Brasil, uma vez que representa hoje ¼ do Produto Interno Bruto (PIB), 45,9% das exportações e 35% dos empregos do País. “Se imaginarmos que o Brasil tem o desafio de ser, em dez anos, o maior produtor mundial de alimentos, fibras e energia renováveis, temos de nos esforçarmos para o retorno da confiança dos investidores, aumentarmos nossos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e reivindicarmos menos intervenção do Estado no segmento para sermos também a agricultura mais sustentável do planeta”, comentou Carvalho. 

Já o presidente da Cooxupé, Carlos Paulino, fez uma detalhada exposição dos trabalhos sociais e ambientais da cooperativa. “Entre inúmeras ações voltadas para os 13 mil cooperados e também aos 2.300 colaboradores da Cooxupé, destacamos os 161 profissionais que auxiliamos a obter o MBA, os 500 com formação superior, assim como os 100 mil atendimentos técnicos que demos durante 2016”, salientou Paulino. O dirigente informou ainda que todo esse esforço resultou numa produtividade ainda maior dos associados, em relação ao restante da cafeicultura brasileira. 

Marcelo Furtado, facilitador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, abordou o tema da Agricultura de Baixo Carbono. Segundo ele, o momento exige um esforço de todos em torno de pontos que sejam convergentes. “Entendo e acredito que temos de unir o setor privado, academia e entidades em prol de objetivos comuns”, sentenciou.

Já o engenheiro agrônomo Eduardo Leduc, vice-presidente sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF para a América Latina, analisou as diversas fase da cultura cafeeira e as oportunidades de inovação e de sustentabilidade nela. “A cafeicultura é um ótimo exemplo da inestimável contribuição do cooperativismo para as melhores práticas ambientais que o agronegócio pode dar ao país. Nesse sentido, a Cooxupé apresenta sempre as melhores opções em termos de aplicação de modernizações”, afirmou Leduc. Participou também do encontro, o secretário da Agricultura de São Paulo, Arnaldo Jardim, que destacou os pontos convergentes entre conservação ambiental e a atividade cafeeira. 

O evento foi encerrado com uma entrevista coletiva, que contou com a participação de cerca de 20 jornalistas, entre os quais estavam oito internacionais, vindo dos Estados Unidos, Alemanha, Itália, França e Reino Unido, que vieram ao Brasil para conhecer melhor o modo de produção do café brasileiro e visitar diversas propriedades rurais no sul de Minas Gerais.

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