| 

Notícias

Déficit em infraestrutura já limita aumento das áreas irrigadas no Brasil

Apesar das dificuldades, a expectativa é de que a irrigação mecânica alcance 5,7 milhões de hectares de lavouras e pastagens em 2017, expansão de 15% na comparação com o ano passado

Data: 06/09/2017

Pivô central: 70% dos projetos de irrigação com este sistema são financiados no País e o restante é feito com recursos dos produtores
Foto: Divulgação

A demora na obtenção de outorgas para uso de água, licenças ambientais e a falta de infraestrutura elétrica têm limitado o crescimento da área irrigada no Brasil. A avaliação é do diretor superintendente da Fockink, Siegfried Kwast.

Segundo ele, o processo de obtenção da documentação necessária para a instalação dos sistemas depende de leis estaduais e leva, em média, oito meses. "Em alguns Estados, porém, esse período pode passar de dois anos", afirma Kwast, que também é vice-presidente da câmara setorial de equipamentos de irrigação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Implementos (Abimaq).

A demora desanima os produtores que buscam retorno rápido para o investimento, avalia o dirigente. Conforme Kwast, o setor movimenta por ano, aproximadamente, R$ 2 bilhões. "Mas temos capacidade para dobrar esse volume", defende.

Ele cita entre os fatores que restringem esse potencial a disponibilidade de energia elétrica no campo. "Em muitos lugares o produtor não tem a carga necessária para instalar sistemas de irrigação", observa. "O Brasil só não está passando por uma crise energética porque está em uma crise econômica", acrescenta Kwast.

Apesar das dificuldades, o segmento está em expansão e a área irrigada deve crescer 15% neste ano. O País conta com 5,7 milhões de hectares irrigados, dos quais 1 milhão de hectares são dedicados ao cultivo de arroz, com ênfase no Sul do País. "O setor está descolado da crise política, o que ajuda a melhorar os negócios", afirma. "Além disso, o agronegócio está se profissionalizando, o que demanda mais tecnologia", diz o executivo.

Ele acredita que a redução dos custos do sistema e o interesse dos produtores em ampliar as tecnologias aplicadas no campo devem motivar o aumento do número de projetos de irrigação por todo o País. Além do Sul, os Estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás e Mato Grosso são os que mais investem em irrigação.

"Um levantamento recente da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] mostrou que a área com potencial para irrigação no País pode chegar a 38 milhões de hectares. É enorme."

Na visão dele, a recuperação de áreas de pastagem degradadas também pode estimular o uso dos sistemas de irrigação. "Isso tanto na recuperação da pastagem para a pecuária quanto na conversão para área de plantio", explica. Kwast calcula que 50 milhões de hectares ainda tenham condições de ser recuperados no Brasil.

Nesse sentido, a oferta de crédito é um ponto positivo para o produtor, na avaliação dele. A principal linha para financiamento do setor é o Moderinfra, com prazo de dez anos e juros de 7,5% ao ano.

"Dinheiro disponível para os projetos existe, o que falta é tomador para esses recursos", conta. Ele ainda cita que o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia financiam projetos de irrigação. Ele calcula que 70% dos projetos de irrigação por pivô central sejam feitos a partir de financiamento e o restante com recursos próprios dos agricultores.

Fonte: DCI

Veja Mais