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Chuvas irregulares atrasam plantio de soja nos Estados do Centro-Oeste

Apesar da demora para avanço dos trabalhos no campo, semeadura ainda pode ser feita no período ideal para a cultura; preocupação é com a janela para o cultivo do milho na segunda safra

Data: 24/10/2017

Máquina no campo: falta de umidade impede o avanço da semeadura da oleaginosa em alguns estados 
Foto: Dreamstime

Os agricultores da região Centro-Oeste do País estão de olho na meteorologia esperando que a chuva permita que eles voltem ao campo para ampliar a área cultivadas na safra de verão 2017/2018.

A principal cultura prejudicada pela falta de chuvas é a da soja. As precipitações esperadas na região desde a segunda quinzena de setembro têm ocorrido de forma irregular e em volumes variados, o que impede que os trabalhos no campo ganhem ritmo. "Os produtores estão plantando só onde tem umidade para evitar perdas", diz o analista de mercado e agrônomo da AG Rural, Adriano Gomes. "Há produtores com máquinas paradas e algumas áreas terão que ser replantadas", comenta ele.

O Estado com maior atraso é Goiás, onde apenas 6% da área estimada em 3,3 milhões de hectares havia sido cultivadas até ontem. A média dos últimos cinco anos para o período é de 10% a 12% de área plantada, de acordo com o consultor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja Goiás), Cristiano Palavro.

No ano passado, quando a safra de grãos foi recorde e o clima estava mais favorável, 15% a 20% da área do Estado já havia sido cultivada neste mesmo período. "As chuvas devem se estabilizar no final de outubro ou começo de novembro", estima Palavro.

Ele explica que o período ideal para plantio da soja se estende até 15 de novembro e que as previsões indicam chuvas com maior intensidade para o próximo dia 2 de novembro. Se a expectativa se confirmar, ainda há tempo de semear a safra dentro da janela ideal para a cultura.

"As perdas, portanto, ainda são limitadas e não temos indicativo de necessidade de replantio. Mas já é um sinal de alerta", salienta o consultor.

Se para a soja o atraso pode ser recuperado, a preocupação é que a semeadura do milho na segunda safra poderá ser feita em um período próximo do fim da janela ideal, que se estende até o final de fevereiro.

Em Mato Grosso a situação é semelhante, mas o atraso no plantio do grão é menor, uma vez que as chuvas ocorridas no oeste, médio-norte e noroeste do Estado permitiram a elevação da área plantada na última semana, mas o clima continuará sendo fator limitante.

De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a área semeada corresponde a 25,82% do total ou 2,43 milhões de hectares. No mesmo período do ano passado 42,2% da área já havia sido cultivada. A média histórica dos últimos cinco anos é de 28,4%.

A demora nas chuvas gera dúvida sobre a safra e já tem sido suficiente para sustentar os preços da oleaginosa, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A cotação em Paranaguá era em R$ 71,81 a saca na sexta-feira (20).

Água demais

Considerando todo o País, o plantio da safra de soja chegou na quinta-feira (19) a 20% da área estimada de 34,5 milhões de hectares, ante 12% uma semana antes, 29% um ano atrás e 19% na média de cinco anos, afirma a AgRural.

Isso foi possível porque na região Sul a situação é inversa. No Rio Grande do Sul, por exemplo, tem chuva de sobra, mas o plantio não está atrasado de forma significativa.

"Embora os trabalhos ainda não tenham deslanchado, já tivemos uma melhora desde ontem e o plantio já ganhou ritmo", afirma o técnico da Empresa de Assitência Técnica e Extensão Rural (Emater-RS), Cláudio Doro.

O plantio atingiu 3% da área estimada em 5,7 milhões de hectares. No mesmo período do ano passado, 5% da área estava cultivada neste mesmo período no Estado. O Estado deve produzir 17 milhões de toneladas da oleaginosa.

No Paraná, a área semeada chegou a 53% na semana passada, enquanto em Santa Catarina, é de 22% do total.

Fonte: DCI

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