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Busca pelo mercado externo será mantida

Alta dos juros nos EUA, aceleração das commodities e menor variação cambial podem incentivar exportações

Brexit, eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e forte oscilação cambial. Estes foram apenas alguns dos motivos de preocupação de empresários ligados a companhias exportadoras em 2016. Mas como ficará o sono de quem cobiça o mercado internacional em 2017? Especialistas acreditam que, apesar de ainda se esperar por muita reação à saída do Reino Unido da União Europeia e à chegada do republicano eleito à Casa Branca, neste ano as exportações terão um desempenho melhor.

Parte desta avaliação vem do fato de que se espera um ano de dificuldades no mercado interno. Com isso, muitas empresas vão buscar o exterior com o objetivo de mitigar riscos e diversificar apostas. "A única estratégia factível para muitos setores é exportar, e no ano passado eles tiveram bons ganhos em reais por conta da desvalorização cambial", explica Fabio Silveira, sócio da MacroSector Consultores.

Outra dificuldade para quem depende dos embarques para o exterior é a queda do comércio internacional - resultado de uma desaceleração econômica e do crescimento das políticas protecionistas, explica Fernando Sampaio, diretor da LCA Consultores. "Teremos de exportar mais com o vento batendo de frente", opina Thomaz Zanotto, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Entre as alternativas, ele sugere a ampliação dos negócios regionais com Peru e Chile.

Questões como as oscilações cambiais ficaram mais previsíveis para quem depende do mercado exterior, lembra Zanotto. Para ele, toda a indústria da transformação deve buscar aumentar as exportações, como as indústrias calçadista, do aço e de papel e celulose. Setores tradicionais, como os de mineração e de commodities agrícolas, devem ter se manter em crescimento em 2017 graças à recuperação das cotações no mercado internacional e ao câmbio mais favorável aos produtores.

Pelas contas da Fiesp, o saldo da balança comercial deve passar de US$ 47,7 bilhões em 2016 para US$ 50 bilhões neste ano. O diretor da entidade lembra que este número, em parte, será obtido pela queda das importações.

Segundo cálculos de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que não levaram em consideração o desempenho de dezembro, as exportações brasileiras terão um incremento em 2017, saindo de US$ 184,163 bilhões em 2016 para US$ 197,360 bilhões neste ano. Ele projeta alta das cotações do minério de ferro, do barril de petróleo e da soja, três dos principais itens da pauta brasileira. "Sugiro cautela. Esse aumento das exportações só deve ocorrer pelas cotações e não por produtividade ou abertura de mercados", alerta Castro.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, prefere ser ainda mais cauteloso quanto aos embarques internacionais em 2017. Ele destaca que a Ásia, grande compradora de produtos agrícolas, deve usar os estoques internos, o que diminui a pressão sobre as cotações, e que não há perspectiva de alta de consumo na Europa e nos Estados Unidos. Carvalho lembra também que a alta dos juros nos EUA deve pressionar o mercado. A esperança é que o câmbio oscile entre R$ 3,50 e R$ 3,60.

Nas contas do representante da Abag, o cenário vai começar apenas no segundo semestre, com previsão da queda da inflação, aprovação das reformas econômicas e programas de infraestrutura e logística tirados do papel. Com esse cenário, o crédito rural deve começar a aumentar. Por isso, Carvalho acredita que a retomada da economia só deve ocorrer no ano que vem.

O receio do mercado com o nvo presidente norte-americano Donald Trump, que nunca escondeu sua intenção de "rasgar" acordos comerciais, devem perder força ao longo dos cem primeiros dias de governo. Esta é a opinião de Otaviano Canuto, diretor do Banco Mundial. Para ele, se Trump decidir nacionalizar as importações, vai pressionar os preços domésticos, o que não é desejável. "Ele jogou para a torcida ao falar que vai investir em projetos para gerar empregos", avalia.

Para o executivo, o pacote de infraestrutura proposto, no valor de US$ 1 trilhão, poderá ser suficiente para turbinar a demanda agregada do país. Isso também poderá ampliar a necessidade de importações (inclusive do Brasil, que exporta aço) e, como consequência, pressionar a inflação.

Canuto acredita que o Brasil não chega a ser um país que incomode por conta de suas exportações e, portanto, não deverá estar na mira de Trump. Por outro lado, se ele fechar a economia, pode influenciar na queda da produção global e desencadear sucessivas guerras protecionistas.

Fonte DCI

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