| 

Notícias

Alta menor de tributo não garante competitividade do álcool

Data: 01/08/2017

O recuo do governo na tributação do etanol, reduzindo parte da alíquota que havia definido para o PIS/Cofins, torna os preços desse combustível mais competitivos do que os da gasolina no mercado interno.

A alíquota para o etanol hidratado recuou para R$ 0,24 por litro na semana passada, ante R$ 0,32 determinado pelo governo na semana imediatamente anterior.

Esse recuo de R$ 0,08 no imposto eleva a competitividade do combustível, mas ela vai depender do mercado.

Na semana passada, em apenas dois Estados o álcool era mais competitivo do que a gasolina: São Paulo e Mato Grosso.

Em outros três —Minas Gerais, Goiás e Paraná—, os preços estavam próximos aos da competitividade, tomando como base os dados de pesquisa da ANP (associação do governo que regula o setor).

No final de julho, apenas 9% da frota nacional estava localizada em áreas em que o etanol era mais competitivo do que a gasolina. No mesmo período do ano passado, 35% da frota se encontrava nessa mesma situação.

Nas 15 principais cidades de São Paulo, Estado líder em produção de etanol, o derivado da cana tem vantagens sobre o derivado de petróleo. Em Ribeirão Preto (SP), por exemplo, o etanol vale 64% do custo da gasolina. Pesquisas indicam que, quando essa paridade é inferior a 70%, o etanol é mais competitivo para o consumidor do que a gasolina.

As vendas de etanol, em queda neste ano, vão depender do comportamento do mercado. Se o produtor incorporar mais preço em seu produto ou se a distribuição resolver incorporar mais margens, o etanol não ganhará competitividade em relação à gasolina, e o consumo se manterá reduzido.

De 23 a 29 de julho, após o período do aumento das alíquotas do PIS/Cofins, a margem bruta da gasolina subiu para R$ 0,63 por litro na revenda. Era de R$ 0,46 no período 16 a 22 de julho.

No caso do etanol hidratado, a margem subiu para R$ 0,46, acima do R$ 0,32 da semana anterior. Os valores têm como base as informações semanais da ANP.

*

Aumento do diesel castiga na produção e no frete

O aumento da alíquota de R$ 0,21 de PIS/Cofins no diesel vai trazer um impacto de R$ 285 milhões sobre o agronegócio de Mato Grosso na safra 2017/18.

A alta pesa não só porteira adentro —na produção de grãos, pecuária, aves e suínos— mas também porteira afora, devido aos custos do frete, afirma Daniel Latorraca, superintendente do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).

O aumento do diesel castiga o produtor duas vezes: no custo de produção e na queda dos valores do produto. Os fretes aumentam, e as tradings descontam essa alta no preço pago aos produtores.

Outro gargalo para o produtor é o valor do capital que está sendo destinado ao diesel. "Além da área maior, o produtor aumentou a movimentação das máquinas, tanto no plantio como nas pulverizações", afirma ele.

*

Clima determinou preços de soja e milho em julho

A especulação sobre o clima determinou os preços dos grãos nos Estados Unidos e no Brasil no mês passado.

A soja registrou a máxima do ano em 11 de julho, atingindo US$ 10,47 por bushel no contrato de novembro, em Chicago.

Na primeira quinzena, acreditava-se que, em alguns dos Estados produtores, a seca fosse mais intensa do que foi.

Na segunda, as temperaturas caíram, dando outro cenário para as lavouras. A soja fechou o mês em US$ 10,07, com aumento de 5,5% em relação a junho, segundo Daniele Siqueira, da AgRural.

Já o milho, devido aos estoques mais folgados, fechou julho com queda de 1,8%, em US$ 3,8475 por bushel.

O mercado interno brasileiro seguiu as oscilações de Chicago. A soja, após ter atingido R$ 69 por saca em Cascavel (PR), no dia 11, terminou julho em R$ 64,50.

*

Lavouras - Apenas 59% das lavouras de soja dos Estados Unidos estão em condições boas e excelentes. Em 2016, quando as condições climáticas eram melhores do que as atuais, o percentual era de 72%.

Milho - Os dados são do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que registra um cenário pior também para o milho. Só 61% das lavouras do cereal estão em condições boa e excelente, em comparação aos 76% de igual período de 2016.

Fonte: Folha de S.Paulo.

Veja Mais