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Agronegócio puxará empréstimos no Norte e no Centro-Oeste em 2018

Além disso, o aumento do consumo previsto pela sazonalidade do final do ano tende a alavancar os financiamentos para a indústria de transformação dessas localidades, apontam especialistas

Data: 29/09/2017

Além do Sudeste, o agronegócio e parte da indústria de transformação devem dar destaque também para a tomada de crédito na região Centro-Oeste. A expectativa, porém, é de alta generalizada no País a partir de 2018 com a queda nas taxas de juros.

Com o crédito para pessoas jurídicas sendo impulsionado pelo avanço gradativo de alguns setores da economia, os principais impactos devem começar a aparecer no final deste ano, sendo alavancados tanto pelo agronegócio, como pelo varejo e pelo comércio.

"Além do Sudeste, que tem o maior saldo para empresas, o agronegócio e parte da indústria de transformação, puxada pelos avanços no comércio, trazem um grande potencial para a região Centro-Oeste e Norte, com a zona franca de Manaus", afirma o professor de economia da Saint Paul Escola de Negócios Mauricio Godoi.

Os últimos dados do Banco Central apontam que apesar de o Sudeste ter o maior volume no saldo das operações, com um total de R$ 871,8 bilhões em agosto para pessoas jurídicas, a região foi a que mostrou a maior queda frente a igual período de 2016, de R$ 968,4 bilhões (-9,9%).

Em seguida, vieram as regiões Nordeste, com recuo de 7,6% na mesma relação (de R$ 160 bilhões para R$ 147,7 bilhões), Norte com retração de 7% (de R$ 42,8 bilhões para R$ 39,8 bilhões) e a região Sul com -5,5% (de R$ 240,6 bilhões para R$ 227,3 bilhões).

O Centro-Oeste, por sua vez, teve o menor recuo no período, caindo 3,1% (de R$ 132,8 bilhões para R$ 128,6 bilhões).

Na mesma linha, a expectativa é que os efeitos da recuperação da economia, somado às concessões propostas pelo governo, também serão positivos para essas regiões, e tendem, cada vez mais, a trazer uma melhora generalizada no País a partir do ano que vem.

Segundo o consultor da Boanerges&Cia Vitor Meira França, porém, grande parte do movimento de crédito voltada para pessoas jurídicas será focado no curto prazo.

"Em um primeiro momento, a recuperação vem para as linhas que auxiliam na gestão do dia a dia do negócio, mas é uma reação em cadeia. Com o cenário mais estável no ano que vem, já poderemos ver os bancos mostrando uma melhor oferta de crédito", afirma.

Ele pondera, ainda, que frente ao atual cenário do mercado de trabalho, a perspectiva é que o crédito para o segmento de serviços mostre avanços mais consolidados e significativos com a melhora do ambiente macroeconômico, uma vez que micro e pequenos empreendedores devem ter fôlego para seus negócios.

"Com as mudanças estruturais importantes que vimos no mercado de trabalho, devemos ver um lado forte do empreendedorismo, também. Na medida que a economia se estabilize, as taxas caiam e as condições de crédito melhorem, a tendência é vermos o microempreendedor voltar para o mercado", acrescenta.

Estímulo a menos

Ao mesmo tempo, porém, os especialistas ponderam os possíveis impactos originados com a mudança para a Taxa de Longo Prazo (TLP) nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

Para o professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Marcos Melo, a alteração da taxa de juros do banco de fomento deve gerar um estímulo menor das empresas, apesar de vir "ao mesmo tempo em que a taxa básica de juros alcança os 7%".

"É um estímulo a menos e isso deve provocar algum impacto para o crédito às pessoas jurídicas. A expectativa é que essas companhias migrem ao mercado de capitais para financiamento, mas o cenário é diferente para os pequenos negócios", analisa o professor.

"Em relação à atividade econômica é preciso cuidado para não ver uma euforia acima do que realmente está acontecendo. Apesar das sinalizações, o apetite de investimento ainda não é forte. Só ano que vem começamos a ver sinais mais significativos", conclui França.

Fonte: DCI

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