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Artigo

O Brasil que queremos

'O êxito está em ter êxito e não em ter condições de êxito' Fernando Pessoa

Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Um olhar para a macroeconomia brasileira revela a inflação em queda e um dólar comportado com sinal de crescimento, em um contexto político incerto. O Editorial da Agroanalysis da última edição de abril cita esses fatos e conclui com uma leitura mais otimista do mercado para 2017, mas com a consciência da lentidão do processo.

Outra visão sobre a Agrishow 2017 revela alguns aspectos importantes: um movimento financeiro maior em relação ao dos anos anteriores; alta qualidade de apresentação dos stands das empresas; crescente dinâmica operacional e de tecnologias; e discursos confiantes das autoridades públicas e privadas que circularam pela feira.

Um analista do primeiro parágrafo, ao visitar a Agrishow, confunde-se com a constatação que há no segundo parágrafo. É o Brasil que queremos, que investe em inovação, que acredita no seu potencial de crescimento, mesmo com tamanhas dúvidas sobre o “day after” dessa moenda de políticos e empresários comprometidos chamada Lava-Jato.

Recém-saídos do massacre da operação Carne Fraca, o poder público e o setor privado tiveram coordenação e responderam de forma admirável a um verdadeiro ataque ao setor brasileiro de carnes. Como um tipo de Lava-Jato da carne, a ação policial atravessou o samba e gerou enorme instabilidade no setor, apesar de encontrar poucos deslizes. Mas, acendeu uma luz amarela sobre nossas mazelas.

Enquanto isso, o governo Temer luta pela aprovação da nova previdência, após resultados iniciais positivos em relação à reforma trabalhista. Com um olho no peixe (rombo fiscal) e outro no gato (políticos e as votações no Congresso Nacional), o governo aposta de forma profissional as suas fichas em temas desgastantes.

Claramente, o barulho dos sindicatos quanto às mudanças trabalhistas e as reclamações dos que se sentem prejudicados com a futura previdência, em um período de caça a corruptos e corruptores – inclusive em relação a expressivas lideranças políticas –, entram nas casas dos brasileiros e geram um ambiente de dúvidas, mas, seguramente, em plena democracia.

Queremos um país fortalecido, caso realmente ocorra o processo de limpeza ética, com abertura das portas para um novo comportamento com relação aos bens públicos, seja pelos funcionários públicos ou pelo setor privado.

Como um processo, sabe-se que levará tempo. Os desgastes e a prisão de gente importante impactam a sociedade brasileira. Isso é inevitável e, sem dúvida, salutar.

O processo de recuperação da economia passa por um momento “fio da navalha entre os votos necessários no Legislativo, as decisões lentas do Supremo Tribunal Federal e o início das campanhas eleitorais, independentemente das decisões geradas nas instituições citadas. No segundo semestre de 2017, o governo transitório não pode lavar as mãos em relação a outras questões cruciais ao Brasil ou a algumas cadeias produtivas que urgem medidas, como as ligadas ao etanol.

Chegar ao Brasil que queremos ou sonhamos exige sofrimento e demandará uma profunda revisão dos valores políticos erradamente cultivados por longo tempo. O processo de mudança requer atitude e esforço para uma adequação aos novos tempos, que nas palavras de Érico Veríssimo, resume as diferentes ações: Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”.

Fonte: Agroanalysis

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