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Artigo

O Brasil e os Limites Globais dos Recursos Naturais

“A natureza não nos permitiu conhecer o limite das coisas” Marco Túlio Cícero, pensador romano

Luiz Carlos Corrêa Carvalho*

A discussão dos limites físicos do planeta Terra e os seus impactos para a humanidade é tema relevante e sempre lembrado desde a formulação por Malthus, em sua teoria sobre o crescimento populacional e a impossibilidade do atendimento das demandas futuras de alimentos pelos recursos naturais limitados.

 Os ganhos de produtividade, nas revoluções da agricultura, alongaram as perspectivas malthusianas e mostraram a força da inovação. Com o conceito fundamental e relativamente recente do desenvolvimento sustentável, assegurar a segurança alimentar global pressupõe garantir a biodiversidade agrícola, a paz e a qualidade de vida das populações.

A análise do que se passa agora é apresentada por instituições internacionais de renome. A Organização Não Governamental (ONG) World  Widelife Found (WWF), alerta para a duplicação da pegada ecológica da humanidade, que de 1966 a 2007 excedeu a biocapacidade do sistema terrestre em mais de 50% . Em 2010, o Órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) deu uma dimensão dramática sobre essa questão no relatório “The State od Food Insecurity in The World”. Esse documento, é claro, trata dos limites do planeta e do desperdício dos alimentos.

No caso da agricultura global, a resposta da produtividade veio com a irrigação, a mecanização agrícola, a utilização das variedades obtidas no trabalho genético, o uso dos fertilizantes e do emprego dos produtos químicos contra pragas e doenças. No caso do mundo tropical, a integração das áreas antes consideradas não agrícolas, como os cerrados brasileiros, foi fundamental às respostas de aumento da oferta de alimentos e de energia renovável da biomassa.

É interessante lembrar que, em 1972, o Clube de Roma já havia produzido um relatório chamado “Limits to Growth”, com projeções sobre as dificuldades que teria a humanidade “nos próximos 100 anos”, ou seja, até 2072. Independente das críticas a isso, inclusive minhas, é relevante citar o National Academy of Science, dos EUA, em sua publicação de 2002, revela que a capacidade da biosfera suportar a procura humana por serviços dos seus ecossistemas havia sido excedida.

Sem dúvida, o mercado e as inovações tecnológicas resolverão boa parte dos problemas futuros, com preço e produtividade.  Isso revela a face das ameaças, mas escancara as oportunidades ao Brasil. E é disso que se trata a questão geopolítica no tocante a sofrer pressão real dos limites do Planeta.

Queimarão a boca ou a caneta aqueles que insistem em citar o Brasil como ponto fraco por exportar commodities. Nossa riqueza está nisso e na luta para reverter as dificuldades que os países impõem ao Brasil via taxação para exportarmos produtos sem maior valor agregado.

Esse tema, em boa parte, será equilibrado em torno do debate interno na redução do custo de infraestrutura e burocracia, assim como na abertura dos mercados externos, que tanto dependem os países como o Brasil e os outros do Cone Sul.

*Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

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