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Artigo

O Brasil Antes!

Luiz Carlos Corrêa Carvalho

“De hoje em diante, uma nova visão

vai governar nosso país. Será apenas

América em primeiro lugar”.

 Donald Trump, Pres. dos EUA

 

Em pleno caos político é lançado o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) da Safra 2017/18 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sob os aplausos do setor privado. Enquanto isso, as delações premiadas atordoam a todos, embaralham as perspectivas e trazem a sensação de paralisia certa, de interrupção daquilo antes programado pelo governo federal.

São duas faces do mesmo momento vivido pelo agronegócio brasileiro, exposto aos riscos climáticos, dos preços e, agora, com ênfase, da política brasileira.

Enquanto se elogia a ação do MAPA, os olhos se voltam na tentativa de enxergar além do horizonte enevoado das incertezas do encaminhamento das soluções políticas em 2017 e as perspectivas das eleições gerais de 2018.

Após as delações da JBS, com o julgamento da chapa Dilma e Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a denúncia de Rodrigo Janot, da Procuradoria Geral da República (PGR), contra Temer e as próximas delações, o Presidente sobrevive, as Reformas são adiadas e as eleições de 2018 podem ficar entre o atraso e o reformismo. O Brasil tem pressa! É preciso fazer e limpar os malfeitos, ao mesmo tempo. Enquanto o agronegócio segura as pontas da economia, é preciso agir com rapidez no campo das reformas essenciais ao país e ao agronegócio.

Da safra à safrinha, de grãos; do canavial em colheita à safra do café; da carne forte recém-saída dos deslizes das críticas; do papel e celulose, cacau, frutas e flores, a agroindústria segue o seu caminho olhando, de um lado, a queda dos juros e da inflação e, de outro, os riscos do câmbio e a reação das instituições.

Há, uma significativa surpresa geral sobre a normalidade nos índices macroeconômicos, em meio às incertezas do dia a dia desde abril deste ano.

Também vale acentuar o fato de alguns indicadores de barreiras à produção ampliada em 2017, como o crédito extremamente seletivo. Essa situação não foi suficiente para segurar um novo recorde na produção de grãos. O modelo brasileiro do agronegócio é, de fato, resiliente e criativo. Não é oportunista, nem protecionista. É competitivo e luta pelo mercado externo em meio à falta absoluta de acordos comerciais do Brasil com terceiros países.

A expectativa do setor produtivo brasileiro, mesmo consciente do processo lento da recuperação da economia brasileira, seria do “Brasil em primeiro lugar”, para os efeitos ou as reações dos políticos, do Executivo e do Judiciário ao complexo momento vivido. Isso significa dizer, das claras manifestações das entidades de classe, da esperança de não se perder o foco do “Brasil em primeiro lugar”, sem o viés protecionista desse mesmo slogan usado por Trump nos EUA e os defensores do Brexit, na Inglaterra.

Sem isso, o retrocesso será certo e terrível. Com isso, se terão alimentadas as esperanças pelo que vem em frente.

Independentemente das questões políticas, é muito relevante ao país as reformas trabalhista e previdenciária, para que o retrocesso não ocorra ainda em 2017. Sua aprovação é simplesmente o estancamento da sangria que fragiliza o Brasil de uma forma não antes verificada.

O fundamental é seguir em frente, mesmo que sem pressa, mas sem perder tempo!

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