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Artigo

Chuvas de verão

“Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela.” Albert Camus    

Luiz Carlos Corrêa Carvalho*

A virada do ano de 2016 para 2017, foi talvez a grande alegria para quem vive em torno do agronegócio canavieiro. Ao ler, ver e ouvir o resumo do ano, muitos voltaram a sentir as dores de um período tão difícil e revelador. Quantas máscaras, sustos e roubos, com a mostra pela classe política, especialmente pelo PT, do seu verdadeiro desprezo pela massa popular.

Em 2005, com o mensalão, vimos uma reação de desdém do cidadão pelas figuras pegas naquele processo de corrupção. Mas, ainda não tínhamos a noção da septicemia a tomar conta do Brasil. Quando a operação Lava-Jato desnudou a doença, percebemos que o combate à infecção generalizada teria de ser feito com os mesmos médicos, enfermeiros e hospitais.

A cada novo dado macroeconômico, sentimos a resistência das bactérias e dos fungos aos antibióticos de antes, sem podermos utilizar aqueles não testados, para não comprometermos o paciente. Assim, constatamos que infelizmente o processo de recuperação será lento.  Até o segundo semestre deste ano, o paciente será alimentado com soro e doses crescentes de remédios. Além disso, rezar será essencial!

Indiferente a tudo isso, a estação de verão chegou. Entre as chuvas e trovoadas, o tempo gira a sua roda e dita o ritmo dos dias.

O aprendizado de 2016 será inesquecível. O Brasil é realmente outro. Como assumiram o seu papel na lógica democrática, as pessoas cobrarão atitudes do Judiciário neste 

ano. Para as eleições de 2018, elas repensarão o seu papel. Até lá, para o nível de desgaste a ser suportado pelo país, o desempenho do governo de transição será fundamental.

Sem dúvida alguma, em poucos meses, o governo Temer superou muito ao governo Dilma, tendo em conta a clareza que dificilmente será popular. Afinal, contenção de gastos, negociação com governos estaduais e aumento do período de contribuição para as aposentadorias, por exemplo, são medidas impopulares.

Após o turbulento inverno de 2016, o verão de 2017 traz as chuvas de “manga”, molhando ou encharcando algumas hortas, mas nem todas. Não se sabe se haverá veranico ou se o inverno chegará muito rigoroso. O importante é o brasileiro estar mais forte para suportar as intempéries.   Estarmos vigilantes para os malfeitores serem punidos. Mesmo na escuridão de 2016, aprendemos como o agronegócio ilumina o país. E ganhamos a mais impactante e positiva campanha a favor do agro, realizada pela TV Globo!

Afinal, o agro é top! Que em 2017 o recorde das colheitas exuberantes atraia novos investimentos em infraestrutura, com o custo Brasil em queda pela condução de reformas essenciais.

Neste verão de 2017, o país vive mais uma vez a alegria da sua grande festa popular, o carnaval. É quando as escolas de samba se mostram. Em 2013, a Vila Isabel levou o troféu de campeã, ao dançar e cantar a beleza do agronegócio nacional, colocando o Brasil como celeiro do mundo sob o apoio da Basf. Este ano, haverá uma justa apologia ao bom índio, mas com criticas gratuitas ao agro, em uma demonstração clara de excesso de ideologia e falta de informação, mesmo depois de tudo!

Que as águas de março limpem esses resíduos ideológicos e fechem o verão de 2017 com perspectivas positivas e de esperança ao povo brasileiro.

*Presidente da ABAG

8 de fevereiro de 2017

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